
De Profundis...
Deteve os meus olhos uma cena cruel,
Perfil deplorável da alma que devaneia.
Breve lembrança do mar, do cinéreo véu
Cobrindo a paisagem, castigando a areia.
A mesma areia pálida, e suja, e tão fria,
E que me comoveu; fez-me chorar navalhas.
O respirar das ondas, a tênue alegria
Das ondas, o mar tecendo minhas mortalhas...
Frio! Palavras brotaram dessa frieza
Com tamanha volúpia, com infinda pressa,
E murcharam... florescimento e incerteza...
Flores murchas, palavras que a alma confessa.
Distraído entre devoções e conjecturas,
Orações soletradas em altos patamares,
Naufraguei num oceano de águas puras,
Mergulhei na paixão de radiantes mares.
E não mais voltei! Padeci nos muitos braços
Das deusas que habitam os meus fartos abismos
E sustentam sonhos dos etéreos espaços,
Onde jazem os versos de estranhos lirismos.
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