
Epílogo - O crepúsculo
A liberdade ainda fervilha na fronte
Imitando um vago sorriso angustiante,
Que disfarça, que esconde, qual atro Caronte
Levando os mortos pelo rio nauseante.
Trépido sentimento venturoso vibra
Toda alma entristecida, e pálida, e temente;
Um leve acréscimo de loucura equilibra
O corpo inseguro, o esqueleto fremente.
Todo um crepúsculo atroz das alturas desce
Distorcendo os vestígios de calma e de paz,
Condenando a liberdade à última prece,
Último sepulcro, onde a esperança jaz.
Entre fortes correntes e cruzes esguias,
Vagueiam qual fantasmas os homens libertos.
Têm nas faces as angústias doentias,
As marcas perenes do seus sonhos desertos.
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