poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
o rufar dos tambores enervados
soou como um convite irrecusável
a uma dança
e dançamos como vorazes vermes
em torno das carnes putrefatas e sórdidas
e dançamos como ares ébrios de vinho
e dançamos
as cabeças nas alturas tontas
uma tontura de aversão ou medo
um temor sem fim da morte
dançando
cambaleando e tropeçando em crânios
dançávamos felizes tão cínicos
abraçados com lamentos e dúvidas
(sobre a dança?)
imitando flores dançantes
vagas donzelas pálidas e fúnebres
dançando como corpos desfalecidos
uma dança infinita
© 2008-2012 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 02:33:17 -0400. Hits: 174
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