poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
Estou cansado destes abutres em festa
Em torno do meu rosto calado, inda cego
Desde o dia em que furtei os olhos sob a testa,
Lançando-os contra o chão, qual martelo a um prego.
Dói-me sentir o ar quente que aflige e infesta
Os ermos sulcos que eram vida e luz. Não nego!
Sepulcrei os tolos mitos da visão funesta
Nas urnas do silêncio apoplético do ego.
Queria respirar a paz da escuridão
E tatear a esmo a pálida loucura...
Em vão! Sucumbi à outra penosa tortura:
Abutres balbuciam palavras que são
Qual pesadas marretas esmagando ouvidos;
Degolo o cego corpo... abrando tais ruídos!
"Demócrito de Abdera arrancou os próprios olhos para poder pensar;
o tempo foi meu Demócrito."
© 2008-2012 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 04:07:01 -0400. Hits: 245
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