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O corpo

As ruas são enciclopédias repletas de definições vagas, onde ocultam-se preciosidades. Basta caminhar com os olhos abertos, mirados no chão que arde sem se ver, vasculhar cada canto que brota entre uma e outra esquina.

Verá surgir um corpo a cada passo, um abrigo sob cada laje, mil sonhos perdidos nas migalhas disputadas com as pombas, aves estúpidas porém livres. Verá um povo coberto com a desgraça que veste tons cinzas, monótonos, crus.

Disformes pigmentos recobrem a ruína...
Pelas ruas, tons cinzas, monótonos, crus,
Tornam negros quaisquer fachos de vaga luz
Que habitam o Corpo, hóspede duma esquina.

Subversivos olhos de uma face assassina
Condenam os trapos sem leitos ou vil cruz,
Culpam os restos que o povo humano produz,
Ignoram o Corpo... cegueira repentina!

Estirado no eterno mármore, sua praça,
Abatido pela excelência da desgraça,
O Corpo expira tragos de incredulidade.

Enquanto um tumulto de pombas esvoaça,
Perdido nos escombros, sem qualquer verdade,
O Corpo funde-se na infâmia da cidade.

28 de Junho de 2009 às 03:36:49 -0400. Hits: 237

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