poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
Disformes pigmentos recobrem a ruína...
Pelas ruas, tons cinzas, monótonos, crus,
Tornam negros quaisquer fachos de vaga luz
Que habitam o Corpo, hóspede duma esquina.
Subversivos olhos de uma face assassina
Condenam os trapos sem leitos ou vil cruz,
Culpam os restos que o povo humano produz,
Ignoram o Corpo... cegueira repentina!
Estirado no eterno mármore, sua praça,
Abatido pela excelência da desgraça,
O Corpo expira tragos de incredulidade.
Enquanto um tumulto de pombas esvoaça,
Perdido nos escombros, sem qualquer verdade,
O Corpo funde-se na infâmia da cidade.
© 2008-2012 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 03:36:49 -0400. Hits: 237
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