poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
Benditos são os públicos banheiros
Onde homens e mulheres tão aflitos
Despejam suas ânsias e detritos
E saem, confortados, bem faceiros.
Papel farto, água clara, amenos cheiros...
A pia sempre limpa, sem mosquitos;
Privada prestes a soltar seus gritos,
E nos bolsos, ainda alguns dinheiros.
A velha liberdade de ir e vir,
Sem ter que pagar para usufruir
Do sólio a que todos têm direito.
Mas isto é sonho dum poeta afeito
A fazer versos sem prisão de ventre
Que vão gritando: tem gente, não entre!
São Paulo, 2003
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28 de Junho de 2009 às 02:36:20 -0400. Hits: 298
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