poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
Quero a morna paz das covas profundas,
Leitos soturnos das almas imundas,
De vívidos rumores transcendentes
Que hão de devorar-me até os dentes.
Prisão, cárcere, jaula nauseante...
Desisto da liberdade distante,
Abraço o abismo que me consola
Com falsas lágrimas, sórdida esmola.
Cultivarei cruzes no meu jardim,
Doces lírios, pétalas de marfim;
Incandescentes velas derretidas
Forrarão meu céu repleto de vidas.
Compartilharei meus rudes ossos
Com os acéfalos, e tais destroços
Serão, senão, refeições doentias,
Vil banquete para as mais vis orgias.
E se tudo o que almejo for em vão,
Qual vampiro, dormirei num caixão,
Um sono eterno e mais silencioso
Que a morna paz do derradeiro pouso.
© 2008-2012 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 15:25:39 -0400. Hits: 230
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