entre sombras
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Quoth the Raven, "Nevermore"...
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Sublimação

Quero a morna paz das covas profundas,
Leitos soturnos das almas imundas,
De vívidos rumores transcendentes
Que hão de devorar-me até os dentes.

Prisão, cárcere, jaula nauseante...
Desisto da liberdade distante,
Abraço o abismo que me consola
Com falsas lágrimas, sórdida esmola.

Cultivarei cruzes no meu jardim,
Doces lírios, pétalas de marfim;
Incandescentes velas derretidas
Forrarão meu céu repleto de vidas.

Compartilharei meus rudes ossos
Com os acéfalos, e tais destroços
Serão, senão, refeições doentias,
Vil banquete para as mais vis orgias.

E se tudo o que almejo for em vão,
Qual vampiro, dormirei num caixão,
Um sono eterno e mais silencioso
Que a morna paz do derradeiro pouso.

 

28 de Junho de 2009 às 15:25:39 -0400. Hits: 230

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